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as vozes locais:
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@fabiomarxx designer
@owelliscria designer


Larissa Queiroz, Gestalt-terapeuta
Edição: DOS&
Colaboração: Wellis Raik, Diretor de arte
@owelliscria
@owelliscria designer
Sobre o encontro entre design,
arte & máquina
Sobre o encontro
entre design, arte
& máquina
Talvez você tenha ouvido falar sobre ócio criativo, aquele momento em que o tédio dá espaço para a catarse de uma ideia brilhante que só poderia chegar em meio ao absoluto vazio. Mas, afinal, como nasce a criatividade? O processo criativo é mesmo resultado de um instante de inspiração ou existe uma construção por trás de cada ideia?
Talvez você tenha ouvido falar sobre ócio criativo, aquele momento em que o tédio dá espaço para a catarse de uma ideia brilhante que só poderia chegar em meio ao absoluto vazio. Mas, afinal, como nasce a criatividade? O processo criativo é mesmo resultado de um instante de inspiração ou existe uma construção por trás de cada ideia?
Bem, por mais que o silêncio dê espaço para a imaginação, a solução que chega como um passe de mágica entra no hall das lendas urbanas, assim como a figura do artista gênio. Para Wellis Raik, essa energia é composta por anos de repertório, construção e desconstrução de referências, como o monstro de Victor Frankenstein, que ganhou vida após inúmeros testes.
Bem, por mais que o silêncio dê espaço para a imaginação, a solução que chega como um passe de mágica entra no hall das lendas urbanas, assim como a figura do artista gênio. Para Wellis Raik, essa energia é composta por anos de repertório, construção e desconstrução de referências, como o monstro de Victor Frankenstein, que ganhou vida após inúmeros testes.
Quando era criança, a “pulsão criativa inconsciente”, como ele chama, surgiu enquanto assistia a desenhos e tentava copiar o que via pela frente em folhas de papel, sem saber se poderia “viver disso”, financeiramente falando.
Quando era criança, a “pulsão criativa inconsciente”, como ele chama, surgiu enquanto assistia a desenhos e tentava copiar o que via pela frente em folhas de papel, sem saber se poderia “viver disso”, financeiramente falando.

img via @owelliscria
Quando a direção de arte encontra o bom designer!
“O tempo foi passando, fui amadurecendo e percebendo que a realidade material era mais complexa do que o desejo de uma criança, então querer não me colocava num local de poder. Nisso, comecei a desencanar da arte. Fui me afastando e fiquei uns cinco, seis anos fora. Seguia desenhando, mas muito mais por uma pulsão criativa inconsciente do que por um desejo de tornar aquilo algo, uma profissão.”
“O tempo foi passando, fui amadurecendo e percebendo que a realidade material era mais complexa do que o desejo de uma criança, então querer não me colocava num local de poder. Nisso, comecei a desencanar da arte. Fui me afastando e fiquei uns cinco, seis anos fora. Seguia desenhando, mas muito mais por uma pulsão criativa inconsciente do que por um desejo de tornar aquilo algo, uma profissão.”
Quando ganhou um violão com cordas de aço do pai, pensou em brincar de outra forma. Quem sabe reproduzir um Queens of the Stone Age e Linkin Park, bandas que ouvia enquanto jogava videogame. Primeira tentativa: 0.
Quando ganhou um violão com cordas de aço do pai, pensou em brincar de outra forma. Quem sabe reproduzir um Queens of the Stone Age e Linkin Park, bandas que ouvia enquanto jogava videogame. Primeira tentativa: 0.
“Era um Vogga, um violãozinho inicial. O problema é que ele era de aço, as cordas de aço são horríveis. E nessa época eu já ouvia muita música. Enquanto jogava videogame, eu ouvia artistas que estavam em alta na época, Linkin Park, Red Hot, Queens of the Stone Age, mas quando pego o violão a primeira ideia que tenho é: meu Deus, não sei fazer nada. Tchau.”
“Era um Vogga, um violãozinho inicial. O problema é que ele era de aço, as cordas de aço são horríveis. E nessa época eu já ouvia muita música. Enquanto jogava videogame, eu ouvia artistas que estavam em alta na época, Linkin Park, Red Hot, Queens of the Stone Age, mas quando pego o violão a primeira ideia que tenho é: meu Deus, não sei fazer nada. Tchau.”
Decidiu se afastar. Emprestou o violão para um amigo e foi viver a vida. Foi aí que surgiu um momento aha: esse amigo evoluiu, mesmo em meio as cordas de aço.
Decidiu se afastar. Emprestou o violão para um amigo e foi viver a vida. Foi aí que surgiu um momento aha: esse amigo evoluiu, mesmo em meio as cordas de aço.
“Eu falei: pô, mano, acho que eu quero o violão de volta, deixa eu ver o que dá pra fazer. Aí comecei a investigar músicas, cifras, o que dava para tocar. Aprendi algumas do System, algumas dos Strokes (…). Fui pegando riffs, acordes e tudo mais, e comecei a… vou chamar de remixar. Mudava uma coisinha de lugar, um ritmo aqui, uma nota ali, e fui descobrindo que a criação não necessariamente precisa sair da sua cabeça, como a gente costuma achar quando começa a aprender sobre criatividade.”
“Eu falei: pô, mano, acho que eu quero o violão de volta, deixa eu ver o que dá pra fazer. Aí comecei a investigar músicas, cifras, o que dava para tocar. Aprendi algumas do System, algumas dos Strokes (…). Fui pegando riffs, acordes e tudo mais, e comecei a… vou chamar de remixar. Mudava uma coisinha de lugar, um ritmo aqui, uma nota ali, e fui descobrindo que a criação não necessariamente precisa sair da sua cabeça, como a gente costuma achar quando começa a aprender sobre criatividade.”
Como viver da criatividade?profissional vs artista
Como viver da criatividade?profissional vs artista
A metamorfose aconteceu. Surge o Wellis artista. Aliás, surge o profissional e o artista, personas que decidiu por vezes separar, por vezes fundir, enquanto equilibra compromissos como integrante da banda Soprü e diretor de arte e design na agência criativa Tukam.
A metamorfose aconteceu. Surge o Wellis artista. Aliás, surge o profissional e o artista, personas que decidiu por vezes separar, por vezes fundir, enquanto equilibra compromissos como integrante da banda Soprü e diretor de arte e design na agência criativa Tukam.
“O ego profissional opera de um jeito. O ego criativo opera de outro. Quem trabalha com criatividade de maneira autônoma tem que desenvolver competências de campos distintos: atendimento ao cliente, gestão financeira, administração de documentos, agenda, projetos…sem contar a parte criativa: classificar uma boa melodia, uma boa harmonia, escolher paleta de cores, combinar tipografias (…). Aí há essa concatenação de coisas que estão em universos distintos, naquele lugar, naquele momento, que se torna um insight, então um produto criativo.”
“O ego profissional opera de um jeito. O ego criativo opera de outro. Quem trabalha com criatividade de maneira autônoma tem que desenvolver competências de campos distintos: atendimento ao cliente, gestão financeira, administração de documentos, agenda, projetos…sem contar a parte criativa: classificar uma boa melodia, uma boa harmonia, escolher paleta de cores, combinar tipografias (…). Aí há essa concatenação de coisas que estão em universos distintos, naquele lugar, naquele momento, que se torna um insight, então um produto criativo.”
Aliás, o desfecho do dilema profissional versus artista que Wellis encontrava no início desta trama não poderia ser mais propício. Se é para trabalhar dentro de uma lógica produtiva, que seja em um produto à la Bauhaus, e não em uma escala fordista. No campo visual, quando realiza produtos criativos, tenta equilibrar função e design.
Aliás, o desfecho do dilema profissional versus artista que Wellis encontrava no início desta trama não poderia ser mais propício. Se é para trabalhar dentro de uma lógica produtiva, que seja em um produto à la Bauhaus, e não em uma escala fordista. No campo visual, quando realiza produtos criativos, tenta equilibrar função e design.
“Uma atuação não anula a outra (sobre a diferença entre artista e designer). O artista busca essa expressão de algo íntimo, de alguma questão social, trazer à tona uma ideia comum ao público, que termina alí. O designer pensa em um projeto que vai ser desdobrado e que precisa funcionar em outras escalas, em outras plataformas digitais e físicas.”
“Uma atuação não anula a outra (sobre a diferença entre artista e designer). O artista busca essa expressão de algo íntimo, de alguma questão social, trazer à tona uma ideia comum ao público, que termina alí. O designer pensa em um projeto que vai ser desdobrado e que precisa funcionar em outras escalas, em outras plataformas digitais e físicas.”
IA substitui criatividade?
IA substitui criatividade?
Esse raciocínio permeia um dos debates atuais sobre criatividade: o impacto da inteligência artificial generativa no trabalho criativo, no processo criativo e no futuro da criação. É verdade que o aspecto operacional está cada vez mais mecanizado e que a construção de imagens e textos pode ser reproduzida como a chuva digital de Matrix, mas ainda precisamos colocar uma alma na criatura.
Esse raciocínio permeia um dos debates atuais sobre criatividade: o impacto da inteligência artificial generativa no trabalho criativo, no processo criativo e no futuro da criação. É verdade que o aspecto operacional está cada vez mais mecanizado e que a construção de imagens e textos pode ser reproduzida como a chuva digital de Matrix, mas ainda precisamos colocar uma alma na criatura.
Wellis acredita que, em alguns contextos, o valor do trabalho criativo pode se intensificar com a propulsão da IA, tornando o artista humano, um ativo de luxo. Uma reflexão que surgiu ao observar campanhas feitas à mão, como as da Hermès, e embalagens com o selo #madebyhuman.
Wellis acredita que, em alguns contextos, o valor do trabalho criativo pode se intensificar com a propulsão da IA, tornando o artista humano, um ativo de luxo. Uma reflexão que surgiu ao observar campanhas feitas à mão, como as da Hermès, e embalagens com o selo #madebyhuman.
“Estaremos vendo a ascensão de diretores de arte e diretores de criação direcionando as máquinas que vão produzir. Eu vejo que a criatividade é, sim, valorizada nesse contexto sistemático, mas de outra forma. E, em um contexto artesanal, ela se torna mais valiosa. Só que a demanda se torna mais especializada, mais específica também. Então não é todo artista que vai ter acesso a essas demandas, sabe? Você tem que ser muito bom a partir de agora.”
“Estaremos vendo a ascensão de diretores de arte e diretores de criação direcionando as máquinas que vão produzir. Eu vejo que a criatividade é, sim, valorizada nesse contexto sistemático, mas de outra forma. E, em um contexto artesanal, ela se torna mais valiosa. Só que a demanda se torna mais especializada, mais específica também. Então não é todo artista que vai ter acesso a essas demandas, sabe? Você tem que ser muito bom a partir de agora.”
Pronto para fabricar a catarse de uma ideia? Agora você já tem a ferramenta: uma dose vitaminada de conhecimento. E a mão humana que vos fala fica por aqui.
Pronto para fabricar a catarse de uma ideia? Agora você já tem a ferramenta: uma dose vitaminada de conhecimento. E a mão humana que vos fala fica por aqui.
Continue acompanhando a Assine Dose para descobrir as histórias por trás de quem cria, transforma e movimenta a cultura tocantinense.
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Compartilhe essa conversa com alguém que também acredita no poder das ideias. Agradecemos a Wellis Raik (@owelliscria & @bandasopru) pela conversa de mestre!
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Microdose com @owelliscria
Microdose com @owelliscria
O que faz quando surge bloqueio criativo?
O que faz quando surge bloqueio criativo?
Me perceber: entender que estou passando por um bloqueio e reconhecer que não é seguindo o automático das vias criativas cotidianas que aquilo vai passar. É preciso uma nova consciência.
Me pergunto: “De onde vem esse bloqueio? O que ele está tentando me dizer?”. A partir disso, me afasto da atividade que está me travando e busco coisas que tragam conforto mental novamente, como caminhar, folhear um livro sem compromisso ou conversar com pessoas envolvidas no processo.
Me perceber: entender que estou passando por um bloqueio e reconhecer que não é seguindo o automático das vias criativas cotidianas que aquilo vai passar. É preciso uma nova consciência.
Me pergunto: “De onde vem esse bloqueio? O que ele está tentando me dizer?”. A partir disso, me afasto da atividade que está me travando e busco coisas que tragam conforto mental novamente, como caminhar, folhear um livro sem compromisso ou conversar com pessoas envolvidas no processo.
Um livro muito bom?
Um livro muito bom?
- (1979) O grande mentecapto - Fernando Sabino
É um romance com o vocabulário um tantinho difícil de entender, por diversos regionalismos e palavras de pouco uso cotidiano, mas que o cenário pintado é mt instigante. Os personagens são super divertidos e prendem a sua atenção do início ao fim. Daqueles livros que você começa e não quer parar até concluir.
- (1979) O grande mentecapto - Fernando Sabino
É um romance com o vocabulário um tantinho difícil de entender, por diversos regionalismos e palavras de pouco uso cotidiano, mas que o cenário pintado é mt instigante. Os personagens são super divertidos e prendem a sua atenção do início ao fim. Daqueles livros que você começa e não quer parar até concluir.
Uma descoberta no Tocantins?
Uma descoberta no Tocantins?
Tallysson Sales - Seu Coração
Um artista novo na cena palmense, trazendo um indie rock super despojado e que demonstra um futuro promissor. Amei o primeiro lançamento dele.
Tallysson Sales - Seu Coração
Um artista novo na cena palmense, trazendo um indie rock super despojado e que demonstra um futuro promissor. Amei o primeiro lançamento dele.
Um conteúdo estimulante que você tem consumido?
Um conteúdo estimulante que você tem consumido?
Ultimamente ando saturado de conteúdos, mas tenho gostado muito de Rooftop Sessions, por Leo Middea.
Ultimamente ando saturado de conteúdos, mas tenho gostado muito de Rooftop Sessions, por Leo Middea.
Uma citação?
Uma citação?
Duas frases da Paula Scher, goat do design tipográfico.
“Levei alguns segundos para desenhar isso, mas levei 34 anos para aprender como desenhá-lo em alguns segundos.”
“As palavras têm significado, a tipografia tem espírito.”
Duas frases da Paula Scher, goat do design tipográfico.
“Levei alguns segundos para desenhar isso, mas levei 34 anos para aprender como desenhá-lo em alguns segundos.”
“As palavras têm significado, a tipografia tem espírito.”
Colaboração: Wellis Raik, Diretor de arte
Edição: DOS&
@assinedose conecta curiosos e criativos para experiências e descobertas na cena local do Tocantins
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